🌉 Quando o adversário vira inimigo: o custo da polarização para o Brasil


💡
Inspirado por uma discussão no Clube de Leitura da ALACCOP sobre a obra O Perigo de uma História Única, de Chimamanda Ngozi Adichie, apresentada pela Prof.ª Juliana Cortez (UTFPR – Campus Cornélio Procópio).

✍️ Autor: Prof. Luiz César de Oliveira – UTFPR Cornélio Procópio
📊 Economia, desenvolvimento regional e sociedade


📌 Nota do Autor: Este artigo não possui viés político-partidário ou ideológico. Trata-se de uma reflexão estritamente acadêmica, fundamentada na literatura econômica, social e literária, com o objetivo de analisar os impactos do comportamento social contemporâneo no desenvolvimento das nossas comunidades e regiões.



Há algumas semanas participei de um encontro do Clube de Leitura da ALACCOP.

Na ocasião, a Prof.ª Juliana Cortez conduziu uma reflexão sobre um texto que continuou ecoando em minha mente por vários dias: O Perigo de uma História Única, da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.

A mensagem parecia simples. Mas era profunda.

Segundo Chimamanda, o problema dos estereótipos não é que sejam necessariamente falsos. O problema é que são incompletos.

Quando reduzimos pessoas, grupos ou sociedades a uma única narrativa, deixamos de enxergar sua complexidade.

Saí daquele encontro pensando que talvez uma das maiores manifestações contemporâneas da "história única" esteja justamente na política.

Foi então que comecei a refletir sobre um fenômeno cada vez mais presente em nosso cotidiano.

A polarização.


🗣️ A conversa que terminou antes de começar

Outro dia participei de uma conversa aparentemente comum.

Alguém criticou uma decisão do governo. Imediatamente foi rotulado como apoiador da oposição.

Poucos minutos depois, outra pessoa criticou uma decisão da oposição. Instantaneamente foi acusada de defender o governo.

A conversa terminou sem que ninguém discutisse o problema original.

Talvez esse seja um dos maiores desafios do Brasil contemporâneo.

Parece que perdemos a capacidade de discordar sem transformar o outro em inimigo. ⚔️

E o mais curioso é que isso não acontece apenas na política. O mesmo comportamento aparece:

no futebol
na religião
📱 nas redes sociais
🎓 nas universidades
🏢 nas empresas
👨‍👩‍👧‍👦 e até dentro das famílias


📖 A advertência da literatura: duas visões sobre a mesma cegueira

José Saramago, Nobel de Literatura (1998), descreveu em Ensaio sobre a Cegueira (1995) uma sociedade que, de repente, perde a visão.

Mas a metáfora mais assustadora do livro não é a cegueira física. É a cegueira moral: pessoas que veem, mas se recusam a olhar.

Na mesma linha, Mario Vargas Llosa — também Nobel de Literatura (2010) e expoente do pensamento liberal — já alertou:

"O fanatismo é uma forma de cegueira intelectual. Quem se fecha à dúvida fecha-se ao mundo."

Dois escritores. Dois prêmios Nobel. Duas tradições políticas distintas. Um mesmo diagnóstico.

Esquerda e direita, quando se tornam dogmas, produzem o mesmo efeito: transformam adversários em inimigos. A diferença de origem não anula a semelhança do erro.

Uma reflexão que circula nas redes sociais resume bem esse fenômeno:

"Quem tem medo de ouvir, confunde diálogo com briga. Quem não quer mudar, interpreta qualquer verdade como um ataque."

Quando transformamos adversários em inimigos, deixamos de dialogar. E quando deixamos de dialogar, deixamos de enxergar. Tornamo-nos cegos voluntários.


🧠 Quando a discordância vira hostilidade

A ciência tem um nome para isso: polarização afetiva.

Segundo Iyengar et al. (2019) , a polarização afetiva ocorre quando a hostilidade em relação ao grupo adversário passa a ser mais importante do que as próprias divergências ideológicas .

Em outras palavras: o foco deixa de ser discutir ideias. Passa a ser rejeitar pessoas.

O interessante é que os pesquisadores não estão estudando um partido específico, um país específico ou uma ideologia específica. A polarização afetiva foi identificada em diversas democracias ao redor do mundo .

Finkel et al. (2020) chamam esse fenômeno de sectarismo político . Segundo os autores, ele possui três componentes centrais:

🔹 alienação do outro – ver o adversário como radicalmente diferente
🔹 aversão ao grupo adversário – sentir repulsa, não apenas discordância
🔹 moralização da política – tratar questões políticas como batalhas entre o bem e o mal

Quando isso acontece, o objetivo deixa de ser resolver problemas. Passa a ser derrotar o adversário.


🏳️‍🌈 Quando a política vira identidade

Os psicólogos Henri Tajfel e John Turner demonstraram, ainda na década de 1970, que os seres humanos possuem uma tendência natural de formar grupos .

Isso é normal. Ao longo da história, essa característica ajudou na sobrevivência e na cooperação social.

O problema surge quando a identidade política passa a ocupar o mesmo espaço antes reservado à:

👨‍👩‍👧 família
💼 profissão
religião
🏘️ comunidade
🤝 amizades

Nesse momento, criticar uma ideia deixa de ser um debate racional. Passa a ser percebido como um ataque pessoal.

Segundo Lilliana Mason (2018) , quando identidades sociais e identidades partidárias se confundem completamente, qualquer discordância passa a ser interpretada como ameaça à própria identidade da pessoa .

Talvez seja por isso que tantas conversas terminem em conflito antes mesmo de começarem.


🇧🇷 O Brasil está vivendo isso?

A resposta da ciência é clara. Sim.

Samuels e Zucco (2018), em consonância com analistas políticos contemporâneos, demonstram que, no Brasil, identidades como o petismo, o antipetismo e o bolsonarismo deixaram de ser apenas preferências eleitorais passageiras. Elas passaram a funcionar como verdadeiras identidades sociais.

O mais importante é perceber que a pesquisa científica não procura identificar quem está certo ou errado, nem validar um grupo em detrimento do outro. O objetivo real é compreender como essas identidades políticas profundas influenciam diretamente as relações sociais, as percepções econômicas e os comportamentos cotidianos dos cidadãos.


😷 A pandemia também deixou cicatrizes invisíveis

Talvez exista outro elemento importante nessa história.

A pandemia da Covid-19.

Além das consequências sanitárias e econômicas, ela transformou profundamente a forma como nos relacionamos.

Milhões de pessoas passaram meses trabalhando, estudando e convivendo quase exclusivamente através de telas. As redes sociais tornaram-se a principal janela para o mundo.

Ao mesmo tempo, medo, isolamento e insegurança passaram a fazer parte do cotidiano.

Diversos estudos publicados após a pandemia sugerem aumento da ansiedade coletiva, da desconfiança social e da exposição contínua a conteúdos polarizadores .

Antes, convivíamos diariamente com pessoas diferentes. Depois, passamos muito mais tempo dentro de grupos que pensavam de forma semelhante .

As chamadas 📱 bolhas digitais ficaram ainda mais fortes.

Talvez isso ajude a explicar por que tantas discussões públicas se tornaram mais agressivas após 2020.


😔 O dado mais triste talvez seja outro

Uma pesquisa nacional realizada após as eleições de 2022 revelou que aproximadamente 3,5% dos brasileiros deixaram de falar com algum familiar por razões políticas .

Pode parecer pouco. Mas em um país com mais de 200 milhões de habitantes, isso representa milhões de relações afetadas.

Milhões de histórias interrompidas.
Milhões de amizades desgastadas.
Milhões de almoços de família mais silenciosos.

Governos mudam. Mandatos terminam. Mas famílias permanecem.


💰 A economia da polarização

Existe um aspecto pouco discutido dessa questão.

A polarização também é um negócio. E um negócio extremamente lucrativo.

Pesquisas recentes mostram que conteúdos que despertam:

😡 raiva
😱 medo
🤯 indignação
🔥 conflito

geram muito mais engajamento nas redes sociais.

A lógica é simples:

📚 Uma análise equilibrada raramente viraliza.
🔥 Uma acusação explosiva, sim.

📊 Um debate técnico gera poucos compartilhamentos.
🥊 Uma briga gera milhares.

A indignação tornou-se uma das moedas mais valiosas da economia digital.

Quanto mais dividida a sociedade, maior o engajamento. E quanto maior o engajamento, maior o retorno econômico para plataformas, influenciadores e atores políticos.

🎯 E a cortina de fumaça estratégica

Olhando de perto para esse cenário, muitas vezes me parece claro que esse tensionamento permanente se tornou um objetivo consciente para boa parte das lideranças políticas. Dividir para governar é uma máxima antiga, mas que ganhou contornos dramáticos na era digital.

Ao empurrar o povo para os extremos da polarização, cria-se uma espécie de cortina de fumaça perfeita. Enquanto a sociedade se desgasta em debates puramente ideológicos e passionais, o foco é desviado do que realmente deveria balizar o amadurecimento do país: a exigência por projetos consistentes, planejamento de longo prazo e métricas transparentes de resultados para o Brasil. A polarização, portanto, serve como uma blindagem contra a cobrança por eficiência técnica e entregas reais.

É, portanto, a aplicação prática, na política, de um velho axioma da ciência econômica: não existe almoço grátis. O custo invisível desse banquete de narrativas e extremos é pago diariamente pela população, na forma de serviços públicos menos eficientes, orçamentos mal geridos e um futuro regional que simplesmente deixa de ser planejado.


🧠 Convicção e informação nem sempre caminham juntas

Um estudo envolvendo 52 países trouxe uma conclusão particularmente interessante.

Segundo Guedes-Neto (2023) , a polarização afetiva tende a ser mais intensa entre:

pessoas altamente engajadas politicamente
indivíduos com posições ideológicas mais radicais
pessoas com forte convicção política
indivíduos com níveis relativamente limitados de conhecimento factual sobre os temas debatidos

Em outras palavras:

📌 convicção e informação nem sempre caminham juntas.

Talvez uma das maiores armadilhas da polarização seja justamente criar a ilusão de que compreendemos completamente fenômenos extremamente complexos .


📉 O custo invisível para o desenvolvimento

Mas existe um problema ainda mais profundo.

A polarização excessiva destrói confiança.

E confiança é um dos ativos econômicos mais importantes que uma sociedade pode possuir.

Robert Putnam demonstrou que regiões mais desenvolvidas tendem a apresentar maiores níveis de cooperação e capital social .

Francis Fukuyama mostrou que sociedades mais confiáveis costumam apresentar:

🤝 maior cooperação
📈 maior crescimento econômico
🏛️ instituições mais eficientes
💼 melhores ambientes de negócios

Douglass North acrescenta que instituições fortes dependem de previsibilidade, confiança e capacidade de coordenação social .

Existe ainda uma dimensão importante destacada por Amartya Sen .

Para o Nobel de Economia, desenvolvimento não significa apenas crescimento econômico . Desenvolvimento significa ampliar capacidades, oportunidades e liberdades .

Isso inclui:

educação
participação pública
acesso à informação
debate democrático
convivência com diferentes perspectivas

Quando a polarização transforma adversários em inimigos, essas capacidades acabam sendo enfraquecidas.

O debate público perde qualidade. A cooperação torna-se mais difícil. E a própria democracia passa a funcionar de maneira menos eficiente.


🌎 O que isso tem a ver com desenvolvimento regional?

Mais do que imaginamos.

Ao longo dos últimos anos tenho estudado parques tecnológicos, inovação e desenvolvimento regional .

Existe uma característica comum em praticamente todos os casos de sucesso analisados no Brasil, em Portugal e na Espanha:

🤝 Cooperação.

Nenhum ecossistema inovador foi construído apenas por um ator.
Nenhuma cidade se transformou porque um grupo derrotou os demais.

Pato Branco. Santa Rita do Sapucaí. Porto. Málaga. Valência.

Todas possuem diferenças políticas e institucionais.

Mas compartilham algo fundamental: a capacidade de cooperar apesar das diferenças .

A Triple Helix, proposta por Henry Etzkowitz e aprofundada por Marina Ranga , parte justamente desse princípio:

🎓 Universidades
🏢 Empresas
🏛️ Governo

precisam dialogar. Precisam cooperar. Precisam construir confiança.


📈 Como economista, minha preocupação é outra

Nenhuma região se desenvolve sem cooperação.
Nenhum parque tecnológico nasce sem confiança.
Nenhum ecossistema de inovação prospera sem diálogo.
Nenhuma estratégia regional de longo prazo é construída por grupos que se enxergam como inimigos permanentes .

A polarização excessiva não produz apenas desgaste político.

Ela reduz a capacidade de uma sociedade construir o próprio futuro.


📖 O perigo de uma única história

Voltando à reflexão de Chimamanda Adichie .

Talvez a polarização seja uma das expressões mais perigosas da "história única" .

Quando reduzimos alguém a um rótulo político, deixamos de enxergar sua complexidade humana.

  • O professor vira apenas "de esquerda" .
  • O empresário vira apenas "de direita" .
  • O jornalista vira apenas "militante" .
  • O servidor público vira apenas "privilegiado" .
  • O empreendedor vira apenas "explorador" .

A pessoa desaparece. O rótulo permanece.

E quando isso acontece, deixamos de enxergar histórias completas. Passamos a enxergar caricaturas .

Como afirma Chimamanda:

📚 "Histórias importam. Muitas histórias importam."

Talvez um dos maiores desafios do Brasil contemporâneo seja justamente recuperar a capacidade de ouvir mais de uma história antes de formar um julgamento .


📚🤖 A advertência de Harari

Yuval Noah Harari alerta que a grande disputa do século XXI não será apenas tecnológica.

Será uma disputa pela informação, pela atenção e pela confiança .

Vivemos em uma época em que nunca tivemos tanto acesso ao conhecimento. Mas também nunca estivemos tão expostos à manipulação emocional .

Nesse ambiente, a polarização encontra terreno fértil. Porque oferece algo extremamente sedutor:

👥 pertencimento.

Ela simplifica um mundo complexo. Transforma problemas difíceis em respostas fáceis. E nos poupa do esforço de lidar com nuances .


🌱 Talvez o verdadeiro desafio seja outro

Talvez o desafio não seja convencer quem pensa diferente .

Talvez seja reaprender a conversar .

Discordar sem odiar.
Debater sem cancelar.
Criticar sem desumanizar.

Porque:

🗳️ governos passam
🏛️ mandatos passam
📉 crises passam
📈 ciclos econômicos passam

Mas:

👨‍👩‍👧 famílias permanecem
🤝 amizades permanecem
🏘️ comunidades permanecem
📍 cidades permanecem

E o desenvolvimento de uma região depende muito mais da capacidade de construir pontes do que de vencer discussões.


🌉 A parábola do futebol e a camisa que vestimos juntos

Durante anos, duas torcidas rivais se enfrentaram em todos os clássicos. Cantavam contra, provocavam, xingavam. Cada gol do adversário era tratado como uma tragédia pessoal. Cada vitória própria, como uma prova de superioridade moral.

Até que, em uma Copa do Mundo, o país inteiro descobriu que os melhores jogadores de ambos os times vestiriam a mesma camisa. De repente, o inimigo virou companheiro. O rival virou parceiro. O xingamento virou abraço.

A seleção não pediu que eles esquecessem suas cores. Pediu que lembrassem de uma cor maior: a da bandeira.

A política também poderia aprender com o futebol. Podemos discordar nos clássicos — e ainda assim torcer juntos quando o país inteiro está em campo.

🌍 O Brasil tem interesses coletivos que valem mais do que qualquer vitória eleitoral.


📌 Reflexão Final

Em tempos de polarização, talvez a verdadeira coragem não esteja em derrotar quem pensa diferente .

Talvez esteja em preservar a capacidade de dialogar com ele .

Porque:

👨‍👩‍👧 famílias valem mais do que eleições
🤝 amizades valem mais do que algoritmos
📍 o futuro de uma cidade, de uma região ou de um país depende muito mais da construção de pontes do que da destruição de adversários

Como ensinou Amartya Sen , o desenvolvimento ocorre quando ampliamos capacidades, oportunidades e liberdades.

E nenhuma dessas dimensões floresce em ambientes marcados pela intolerância permanente .

Sociedades se desenvolvem pela cooperação. Pelo diálogo. E pela capacidade de conviver com diferenças legítimas. 🤝🇧🇷


📚 Referências:

  • Adichie, C. N. (2009). The Danger of a Single Story. TEDGlobal, Oxford.
  • Etzkowitz, H. (2008). The Triple Helix: University–Industry–Government Innovation in Action. New York: Routledge.
  • Finkel, E. J., et al. (2020). Political Sectarianism in America. Science, 370(6516), 533–536.
  • Fukuyama, F. (1995). Trust: The Social Virtues and the Creation of Prosperity. New York: Free Press.
  • Guedes-Neto, J. (2023). Affective Polarization Across 52 Countries: Ideology, Political Engagement and Democratic Contexts. Political Behavior.
  • Harari, Y. N. (2024). Nexus: A Brief History of Information Networks from the Stone Age to AI. New York: Random House.
  • Iyengar, S., Levendusky, M., Malhotra, N., & Westwood, S. (2019). The Origins and Consequences of Affective Polarization in the United States. Annual Review of Political Science, 22, 129–146.
  • Mason, L. (2018). Uncivil Agreement: How Politics Became Our Identity. Chicago: University of Chicago Press.
  • North, D. C. (1990). Institutions, Institutional Change and Economic Performance. Cambridge: Cambridge University Press.
  • Putnam, R. D. (1993). Making Democracy Work: Civic Traditions in Modern Italy. Princeton: Princeton University Press.
  • Ranga, M., & Etzkowitz, H. (2013). Triple Helix Systems: An Analytical Framework for Innovation Policy and Practice. Industry and Higher Education, 27(4), 237–262.
  • Samuels, D., & Zucco Jr., C. (2018). Partisans, Antipartisans and Nonpartisans: Voting Behavior in Brazil. Cambridge: Cambridge University Press.
  • Saramago, J. (1995). Ensaio sobre a Cegueira. Lisboa: Caminho. (Nobel de Literatura 1998)
  • Sen, A. (1999). Development as Freedom. Oxford: Oxford University Press.
  • Tajfel, H., & Turner, J. C. (1979). An Integrative Theory of Intergroup Conflict. In: Austin, W. G., & Worchel, S. (eds.). The Social Psychology of Intergroup Relations. Monterey: Brooks/Cole.
  • Vargas Llosa, M. (2010). Declarações e entrevistas; Nobel de Literatura 2010.

✍️ Nota do Blog: Texto autoral. IA utilizada apenas para organização e revisão textual. As reflexões, críticas e propostas são de inteira responsabilidade do autor. 

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