🛍️ A Loja, a Internet e a Vitrine: O que a British Airways pode ensinar ao comércio de Cornélio Procópio?
E para várias outras cidades de pequeno e médio porte, também...
Uma reflexão sobre vendas, inovação e desenvolvimento
local
✍️ Autor: Prof.
Luiz César de Oliveira – UTFPR Cornélio Procópio
📊 Economia,
desenvolvimento regional e sociedade
Recentemente li uma história interessante sobre a British
Airways.
Na década de 1990, a companhia aérea investiu cerca de 100
milhões de libras para criar uma inovação revolucionária para a época.
Pela primeira vez, passageiros da classe executiva poderiam
dormir em uma cama praticamente horizontal durante voos de longa distância.
A tecnologia era impressionante. O investimento era
gigantesco.
Mas surgiu uma dúvida: como vender aquilo?
A resposta não veio da engenharia. Veio do marketing.
A empresa percebeu que os passageiros não estavam
comprando uma cama. Estavam comprando a possibilidade de chegar
descansados ao destino.
Não era uma poltrona reclinável. Era uma boa noite
de sono.
Não era um mecanismo sofisticado. Era conforto.
Não era tecnologia. Era resultado.
Essa história me fez pensar sobre o comércio de Cornélio
Procópio, do Norte Pioneiro e de centenas de pequenas e médias cidades
brasileiras.
📦 O cliente não compra o
produto
Theodore Levitt, professor da Harvard Business
School, escreveu uma frase que se tornou clássica:
"As pessoas não querem comprar uma furadeira de um
quarto de polegada. Elas querem um furo de um quarto de polegada."
Décadas depois, a frase continua atual.
- Ninguém
compra um colchão. Compra uma boa noite de sono.
- Ninguém
compra um perfume. Compra autoestima.
- Ninguém
compra uma televisão. Compra entretenimento.
- Ninguém
compra uma roupa. Compra imagem.
- Ninguém
compra um carro. Compra mobilidade, segurança ou status.
O produto é apenas o meio. O benefício é o que realmente
importa.
🌐 O problema é que a
internet entendeu isso primeiro
Durante muito tempo, o comércio local possuía vantagens
naturais:
🤝 Proximidade
😊
Atendimento
📍
Conveniência
❤️
Confiança
Mas o mundo mudou.
Hoje um consumidor sentado em Cornélio Procópio consegue
comparar preços em segundos com fornecedores de Curitiba, São Paulo, China ou
Estados Unidos.
A informação deixou de ser diferencial. O preço também está
deixando de ser.
A internet venceu essa batalha. E dificilmente voltaremos
atrás.
Amazon, Mercado Livre, Shopee, Magalu, Temu, Shein — todas
utilizam tecnologia, dados e logística para competir em escala global.
Então surge uma pergunta importante:
👉 Como uma
pequena loja pode competir contra empresas que investem bilhões de reais por
ano?
Provavelmente, não será apenas pelo preço.
🏪 Então as lojas físicas
estão condenadas?
Pelo contrário.
Mas precisam mudar. Muito.
O consumidor continua valorizando:
🤝 confiança
😊
atendimento
⚡
rapidez
📍
proximidade
🛠️
suporte pós-venda
❤️
relacionamento
Nenhuma plataforma digital consegue substituir completamente
essas características.
Mas elas precisam deixar de ser discurso e se
transformar em estratégia.
🏙️ Talvez o problema não
esteja apenas na internet
Quando converso com empresários, comerciantes e lideranças
da região, frequentemente ouço a mesma preocupação:
📦 "A
internet está acabando com o comércio."
📱 "A
Shopee vende mais barato."
🚚 "O
Mercado Livre entrega mais rápido."
Tudo isso é verdade.
Mas talvez exista uma pergunta que também precisamos
fazer:
👉 Será que
estamos oferecendo ao consumidor uma experiência melhor do que a internet?
Basta caminhar por muitas áreas comerciais de pequenas e
médias cidades brasileiras para perceber alguns desafios:
- Lojas
escuras
- Fachadas
envelhecidas
- Pintura
desgastada
- Vitrines
sem identidade
- Prédios
sem manutenção
- Comunicação
visual ultrapassada
- Calçadas
pouco atrativas
Em muitos casos, não faltam clientes. Falta
encantamento.
E isso não depende necessariamente de grandes investimentos.
Depende de criatividade, gestão e atitude.
💡 Nem toda inovação custa
milhões
Quando pensamos em inovação, imaginamos robôs, inteligência
artificial e grandes investimentos.
Mas muitas vezes a inovação começa com pequenas
mudanças:
✨ Uma fachada limpa
💡
Uma iluminação melhor
🪟
Uma vitrine organizada
📱
Um Instagram atualizado
📞
Um WhatsApp que realmente funciona
😊
Um vendedor preparado
🚚
Uma entrega eficiente
🤝
Um pós-venda que surpreende
Nenhuma dessas ações exige milhões de reais. Mas todas
geram valor percebido.
E valor percebido influencia diretamente a decisão de
compra.
👀 O cliente compra com os
olhos antes de comprar com a carteira
Existe uma expressão muito utilizada no varejo:
"A vitrine vende antes do vendedor."
Ela continua verdadeira.
O consumidor forma impressões em poucos segundos.
Antes mesmo de entrar na loja. Antes mesmo de perguntar o preço. Antes mesmo de
conversar com alguém.
- Se a
fachada transmite abandono, o cliente associa isso à empresa.
- Se o
ambiente transmite cuidado, ele associa isso à qualidade.
Pode parecer injusto. Mas é assim que funciona o
comportamento humano.
🎓 O vendedor do futuro
não será apenas vendedor
Talvez uma das maiores mudanças esteja nas pessoas.
Durante décadas, bastava conhecer o produto. Hoje isso não é
suficiente.
O cliente chega à loja depois de assistir vídeos, ler
avaliações, comparar preços e até conversar com inteligência artificial. Muitas
vezes ele conhece as especificações técnicas tão bem quanto o vendedor.
O diferencial passa a ser outro:
- Interpretar
necessidades
- Resolver
problemas
- Criar
confiança
- Construir
relacionamento
O vendedor do futuro se parece menos com um tirador de
pedidos e mais com um consultor.
📈 O comércio local
precisa vender soluções
Imagine duas lojas vendendo exatamente o mesmo produto.
Na primeira, o vendedor diz:
— "Este notebook possui processador X, memória Y e armazenamento
Z."
Na segunda, o vendedor pergunta:
— "Você precisa dele para estudar, trabalhar ou editar
vídeos?"
A primeira vende características.
A segunda vende soluções.
E normalmente é a segunda que conquista o cliente.
🌎 O desenvolvimento local
começa na inovação
Quando falamos em inovação, muitas pessoas imaginam grandes
laboratórios ou tecnologias sofisticadas.
Mas inovação também acontece quando uma pequena empresa
aprende a entender melhor seus clientes.
Peter Drucker afirmava que o objetivo de
um negócio é criar e manter clientes. Para isso, compreender necessidades é
mais importante do que simplesmente oferecer produtos.
Em cidades médias como Cornélio Procópio, o comércio
continua sendo um dos maiores empregadores e geradores de renda.
Sua modernização não é apenas uma questão empresarial. É
uma questão de desenvolvimento regional.
🏘️ Desenvolvimento também
é responsabilidade local
É evidente que políticas públicas são importantes.
Infraestrutura importa. Segurança importa. Mobilidade importa. Planejamento
urbano importa.
Mas nem tudo depende do governo.
Nem tudo depende da prefeitura. Nem tudo depende de
Brasília.
Uma cidade melhora:
✅ quando seus moradores melhoram
✅
quando seus empresários
inovam
✅
quando seus comerciantes se qualificam
✅
quando suas instituições
cooperam
✅
quando seus cidadãos
deixam de esperar soluções
externas e começam
a construir soluções
locais
🤝 O papel estratégico da
Associação Comercial
A Associação Comercial e Empresarial de Cornélio Procópio
(ACECP) é um elo essencial que precisa ser ativado nesse processo.
Seu papel não é apenas representar os comerciantes, mas
também articular ações coletivas.
Hoje, lojistas isolados têm pouco poder. Mas, quando unidos,
podem criar uma força de transformação que nenhum deles teria sozinho.
A ACECP pode ser a ponte para o que economistas chamam
de encadeamentos econômicos: uma melhoria que gera outra .
🌟 Ações concretas e
exemplos reais de revitalização
Pensando no contexto de Cornélio, algumas ações concretas
poderiam incluir:
- Revitalização
de fachadas: Lançar um programa de incentivo, buscando parcerias para
que os lojistas possam reformar e modernizar suas vitrines e fachadas.
- Criação
de um consórcio local: Utilizar o poder de negociação da associação
para comprar materiais de construção, serviços de iluminação ou
consultoria em gestão com preços mais acessíveis para os associados .
- Plano
de fachadas ativas: Promover o conceito de "fachada ativa",
incentivando o uso de espaços ociosos no térreo para comércios que gerem
movimento e vida para a rua.
- O
Sistema S: pode contribuir para que essas ações saiam do papel e
tornem realidade nas cidades.
- E
a academia: por meio dos nossos cursos de Engenharia e Computação na
UTFPR e Administração e Economia na UENP, pode e deve ser o laboratório
técnico para desenhar essas soluções junto aos lojistas.
🌟 O que já funciona em
cidades de diferentes portes?
Essa estratégia não é teoria. Ela já funciona em cidades de
diferentes portes no Brasil.
🏙️ Grandes cidades
Em Curitiba, o programa "Rosto da
Cidade" mostrou o poder da parceria entre o poder público
municipal e a sociedade organizada para a revitalização urbana. A cidade
integrou ações de recuperação de fachadas, combate à pichação e resgate da
história local, contando também com a parceria da nossa UTFPR. Isso
prova que o modelo de cooperação que você sugere não é teoria – ele funciona e
tem conexão direta com a instituição que faço parte, com muito Orgulho.
Em São Paulo, a Associação Comercial de São
Paulo demonstrou que o sucesso da revitalização de áreas comerciais depende de
uma gestão profissional e contínua. Isso inclui desde a definição
do mix de lojas até a leitura da demanda real. Em projetos bem geridos, esse
tipo de ação pode levar a uma ocupação de espaços comerciais em patamares de
até 85%, enquanto áreas sem gestão podem chegar a 80% de vacância.
🏙️ Cidades médias
Em Pato Branco (PR), a articulação entre
associações empresariais, universidade e governo criou um ecossistema de
inovação que transformou a cidade em referência tecnológica. O comércio local
não ficou para trás: a cultura de cooperação e a busca por diferenciação
fizeram com que as lojas físicas se adaptassem às novas exigências do
consumidor, especialmente com ações integradas de modernização e qualificação.
Em Santa Rita do Sapucaí (MG), o famoso Vale
da Eletrônica não nasceu apenas das grandes empresas. Ele se
fortaleceu porque pequenos negócios e associações locais criaram um ambiente de
cooperação que atraiu fornecedores, qualificou mão de obra e gerou um ciclo
virtuoso de desenvolvimento — sem que nenhuma ação isolada tivesse custo
astronômico.
🏘️ Cidades pequenas
Em Campo Bom (RS), a Câmara de Dirigentes
Lojistas (CDL) tem atuado como parceira estratégica da prefeitura no
planejamento e execução de políticas públicas voltadas para a revitalização do
comércio. A experiência local mostra que a modernização do comércio depende da
união de forças entre lojistas, entidades representativas e poder público .
Em São Bento do Sul (SC), o município tem
utilizado mecanismos como o consórcio público para otimizar a
gestão e viabilizar projetos de desenvolvimento urbano e comercial. A cidade
adota critérios de desenvolvimento municipal sustentável em suas contratações,
mostrando que a inovação na gestão pública pode impulsionar o comércio local.
Esses casos mostram que o tamanho da cidade não é um
obstáculo — é, muitas vezes, uma vantagem. Cidades menores têm mais
facilidade para criar confiança, alinhar interesses e colocar em prática ações
coordenadas. O que falta, na maioria das vezes, não é recurso. É articulação.
🌱 A lição econômica por
trás disso
Albert Hirschman chamava isso de desenvolvimento
por encadeamentos.
Uma melhoria gera outra:
- Uma
loja reformada estimula a vizinha
- Uma
fachada renovada melhora a rua
- Uma
rua melhor valoriza imóveis
- Imóveis
valorizados atraem investimentos
- Investimentos
geram empregos
- Empregos
aumentam renda
- E a
renda movimenta novamente o comércio
O desenvolvimento raramente acontece por um único grande
projeto. Na maioria das vezes, surge da soma de centenas de pequenas
decisões corretas.
📱 O desafio da nova
geração
Existe ainda uma mudança demográfica acontecendo.
As novas gerações cresceram comprando pela internet.
Para muitos jovens:
📱 pesquisar online é
natural
📦
receber em casa é esperado
⭐
consultar avaliações é rotina
Se o comércio local quiser continuar competitivo, precisará
estar onde o cliente está:
- Instagram
- WhatsApp
- Google
- Marketplace
- Atendimento
digital
- Entrega
rápida
- Experiência
integrada
A loja física e a loja digital não são mais concorrentes.
São partes do mesmo negócio.
🌉 A parábola da vitrine
Conta-se que duas lojas vendiam exatamente os mesmos
produtos.
Na primeira, a vitrine exibia preços.
Na segunda, a vitrine exibia sonhos.
- Uma
mostrava uma bicicleta. A outra mostrava uma família passeando no parque.
- Uma
mostrava uma furadeira. A outra mostrava a casa reformada.
- Uma
mostrava um colchão. A outra mostrava uma noite tranquila de descanso.
Durante anos, ambas venderam.
Mas quando a internet chegou, a primeira começou a perder
clientes. Porque na internet sempre havia alguém vendendo mais barato.
A segunda continuou crescendo. Porque descobriu algo
importante:
"As pessoas raramente compram produtos. Elas compram
aquilo que os produtos permitem realizar."
🌱 Reflexão Final
Talvez a principal lição da British Airways não tenha nada a
ver com aviões.
Tem a ver com pessoas.
Empresas extraordinárias entendem que clientes:
✅ não compram características —
compram resultados
✅
não compram
produtos — compram soluções
✅
não compram objetos
— compram experiências
Em economia, existe uma tendência natural de procurar
culpados externos para problemas internos: a internet, a Shopee, a Amazon, os
impostos, o governo.
Embora todos esses fatores sejam relevantes, eles
não explicam tudo.
Muitas vezes, a diferença entre crescer e perder mercado
está em fatores muito mais simples:
✨ atendimento
✨
organização
✨
inovação
✨
qualificação
✨
capacidade de compreender o cliente
O comércio local não vencerá a internet tentando ser
a internet.
Vencerá oferecendo aquilo que a internet dificilmente
consegue entregar:
🤝 relacionamento
❤️
confiança
😊
experiência
🏘️
pertencimento
Porque o futuro não pertence necessariamente ao maior. Nem
ao mais barato.
Talvez pertença àquele que compreender melhor o que
realmente importa para seu cliente.
E essa é uma oportunidade que continua aberta para Cornélio
Procópio, para o Norte Pioneiro e para milhares de pequenas cidades
brasileiras. 🚀
📚 Referências:
- Drucker, P. F. (1973). Management:
Tasks, Responsibilities, Practices. New York: Harper & Row.
- Hirschman, A. O. (1958). The
Strategy of Economic Development. New Haven: Yale University Press.
- Kotler, P., & Keller, K. L.
(2016). Administração de Marketing (15ª ed.). São
Paulo: Pearson.
- Levitt, T. (1960). Marketing
Myopia. Harvard Business Review, 38(4), 45–56.
- Porter, M. E. (1985). Competitive
Advantage: Creating and Sustaining Superior Performance. New
York: Free Press.
- Schumpeter, J. A. (1942). Capitalism,
Socialism and Democracy. New York: Harper & Brothers.
- CDL
Campo Bom. (2026). Revitalização e Modernização: O Futuro do
Comércio em Campo Bom Depende da União de Forças.
- Prefeitura
Municipal de Campo Bom. (2026). Turismo – Campo Bom.
- Prefeitura
Municipal de São Bento do Sul. (2026). Diário Municipal.
✍️ Nota do Blog: Texto
autoral. IA utilizada apenas para organização, revisão e verificação de fontes.
As reflexões, análises e propostas são de inteira responsabilidade do autor.

Entender que se pode inovar com pequenas ações, isso é muito legal! E dá muito resultado.
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