🌍👩‍🔬 Mulheres que movem a economia: do mundo à nossa própria casa


 ✍️ Autor: Prof. Luiz César de Oliveira – UTFPR Cornélio Procópio

📊 Economia, Desenvolvimento Regional e Sociedade

 

Hoje, 8 de março, celebramos o Dia Internacional da Mulher.

Muita gente associa a data a flores, mensagens ou homenagens — o que é bonito e importante. Mas há um aspecto que merece destaque especial: o impacto das mulheres na economia, na ciência e no desenvolvimento das sociedades.

A presença feminina no mundo do trabalho e do conhecimento não é apenas uma questão de justiça social. É também um fator decisivo de crescimento econômico, inovação e desenvolvimento humano.

E os números confirmam isso.

 

📊 Mulheres e crescimento econômico

Segundo dados do Banco Mundial e da OCDE, países que ampliaram a participação feminina no mercado de trabalho registraram ganhos expressivos de produtividade e crescimento econômico.

Um estudo do McKinsey Global Institute (2015) estimou que a redução das desigualdades de gênero no mercado de trabalho poderia acrescentar até 12 trilhões de dólares à economia mundial — o equivalente a somar outra China e outro Estados Unidos ao PIB global.

Em termos simples: quando mulheres têm acesso igual à educação, ao trabalho e às oportunidades, toda a sociedade cresce.

A economista Claudia Goldin, vencedora do Prêmio Nobel de Economia de 2023, demonstrou em suas pesquisas que a evolução da participação feminina no mercado de trabalho é uma das grandes transformações econômicas dos últimos dois séculos.

Ou seja: o avanço das mulheres não é apenas uma pauta social — é também uma força econômica global.

 

🧠 Mulheres que transformam ciência, inovação e economia

A história recente mostra exemplos extraordinários de mulheres que mudaram o rumo da ciência, da economia e da tecnologia.

🌍 Marie Curie, duas vezes vencedora do Nobel (Fisica e Quimica), revolucionou a ciência com suas pesquisas sobre radioatividade.

🌍Elinor Ostrom (2009), primeira mulher a vencer, premiada por sua análise da governança econômica, especialmente dos bens comuns (propriedades compartilhadas).

🌍Esther Duflo (2019), segunda mulher e a mais jovem a receber o prêmio (aos 46 anos), reconhecida por sua abordagem experimental para aliviar a pobreza global.

🌍Claudia Goldin (2023), terceira mulher, premiada por seus estudos que avançaram a compreensão dos resultados das mulheres no mercado de trabalho e disparidades salariais.

🌍 Mariana Mazzucato, uma das economistas mais influentes da atualidade, demonstrou como o Estado pode atuar como motor de inovação e investimento em tecnologias estratégicas.

No campo da inovação e dos ecossistemas tecnológicos, destaca-se também a economista Marina Ranga, pesquisadora reconhecida internacionalmente pelos estudos sobre o modelo da Tríplice Hélice, que analisa a interação entre universidade, governo e empresas no desenvolvimento de ambientes inovadores.

Como afirmam Marina Ranga e Henry Etzkowitz em seus estudos:

"Innovation ecosystems emerge from complex interactions among universities, industry and government, creating environments where knowledge can be transformed into economic and social value."
(Ranga & Etzkowitz, 2013)

Ou seja, inovação não surge isoladamente. Ela nasce da cooperação entre ciência, instituições e sociedade — e as mulheres têm papel fundamental nessa engrenagem.

 

🌍 A revolução silenciosa: mulheres conquistando espaços antes dominados por homens

Enquanto o avanço das mulheres na economia já é documentado por instituições globais, um fenômeno talvez ainda mais significativo vem ocorrendo de forma silenciosa: a entrada massiva de mulheres em profissões historicamente masculinas.

Dados do Departamento de Educação dos Estados Unidos, analisados em janeiro de 2026 pelo Los Angeles Times, revelam uma virada histórica: mulheres agora superam os homens em número de matrículas e concluintes em faculdades de Direito, Medicina, Farmácia, Veterinária, Optometria e Odontologia . Elas estão conquistando cerca de 40% mais doutorados do que os homens e quase o dobro de mestrados .

Na Índia, o India Skills Report 2026 traz outro marco: pela primeira vez em cinco anos, a empregabilidade feminina (54%) superou a masculina (51,5%) , com crescimento expressivo da participação feminina nos setores bancário, educacional e de saúde . Mais impressionante: mulheres dominam o interesse por carreiras jurídicas (96,4%) e de saúde (85,95%) , enquanto os homens ainda concentram preferências em design gráfico e engenharia .

Nos Estados Unidos, a Associação Americana de Faculdades de Medicina reporta que 50% dos futuros médicos são mulheres, ante 48% em 2015. A Associação Americana de Psicologia vai além: mulheres superam os homens na proporção de três para um em programas de doutorado em psicologia, e de quase quatro para um em mestrados .

Na Austrália, apesar de as mulheres representarem menos de 30% da força de trabalho em tecnologia, a participação feminina em cargos de liderança técnica vem crescendo, com exemplos inspiradores de mães que conciliam a criação dos filhos com posições de CTO, CEO e liderança em IA e cibersegurança . Como resume May Mitchell, CMO da Qualys: "A cada ano, esses números sobem um pouco mais. Estamos progredindo" .

No Quênia, dados da Universidade de Nairobi mostram que mulheres foram as únicas concluintes de doutorado em Medicina, Enfermagem, Odontologia, Microbiologia e Geologia em 2025, além de dominarem programas de Tecnologia da Informação e Mudanças Climáticas .

Globalmente, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que setores de serviços relacionados ao comércio — como operações de back-office, contabilidade, indústrias criativas e serviços habilitados por tecnologia — estão se tornando portas de entrada para mulheres e jovens no mercado de trabalho formal, oferecendo empregos mais bem remunerados e com maior proteção social .

O que esses números revelam? Que a transformação não é pontual, nem local. É um movimento global. Mulheres estão ocupando espaços que antes lhes eram negados — não por concessão, mas por competência, preparo e determinação. E quando elas entram, toda a profissão se beneficia da diversidade de perspectivas, da inovação e da excelência que carregam.

 

🏙️ O impacto das mulheres nas economias locais

Se ampliarmos o olhar para cidades médias e pequenas, como muitas do interior do Brasil, percebemos que o impacto das mulheres na economia é ainda mais visível.

Mulheres:

  • lideram pequenos negócios
  • atuam no comércio e nos serviços
  • sustentam redes familiares e comunitárias
  • ocupam cada vez mais posições de liderança na educação, na gestão pública e na ciência

Em muitas cidades brasileiras, o empreendedorismo feminino tem sido um dos principais motores de geração de renda e dinamização econômica local.

Como lembra o economista Amartya Sen, Nobel de Economia de 1998:

"O desenvolvimento consiste na expansão das liberdades reais que as pessoas desfrutam."
(Sen, 1999)

Quando mulheres avançam, a sociedade avança junto.

 

📖 Uma pequena parábola econômica

Imagine uma cidade onde apenas metade da população pudesse trabalhar, estudar ou empreender.

Essa cidade teria metade das ideias. Metade das soluções. Metade da capacidade de crescimento.

Durante muito tempo, a história econômica da humanidade funcionou mais ou menos assim.

Quando as mulheres passam a participar plenamente da educação, da ciência, da política e da economia, a sociedade não ganha apenas igualdade.

Ela ganha inteligência coletiva, diversidade de perspectivas e capacidade de inovação.

 

💐 As mulheres que moldaram a minha própria vida

Mas nenhuma análise econômica faria sentido sem reconhecer algo muito mais próximo e concreto.

Porque, antes das estatísticas e das teorias, existem as mulheres que fazem parte da nossa própria história.

Começo pela minha mãe, Maristela, que representa aquela geração de mulheres que muitas vezes construiu famílias inteiras com trabalho silencioso, coragem e valores sólidos.

Minha esposa, Vanderléia da Silva Oliveira, cuja trajetória admiro profundamente: começou a trabalhar ainda muito jovem, aos 14 anos, estudou, construiu sua carreira na educação pública e hoje exerce a função de Diretora do Campus de Cornélio Procópio da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP).

Em declarações institucionais sobre o papel da universidade pública, ela destaca um princípio que dialoga diretamente com o desenvolvimento regional:

"Temos a grata satisfação em ver o quanto nossa Universidade tem evoluído nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, promovendo a produção e disseminação do conhecimento científico para o bem da sociedade local e regional."
— Vanderléia da Silva Oliveira, UENP

Minha filha Beatriz, que hoje trilha seu próprio caminho na ciência, estudando Oceanografia na Universidade Federal de Santa Catarina, explorando o mundo do conhecimento e construindo seu futuro na pesquisa.

Faço também uma homenagem especial às minhas irmãs Sandra, Sara e Silvia, companheiras de vida, de história e de família.

E às minhas cunhadas, amigas e colegas de trabalho, mulheres que, em diferentes áreas e momentos da vida, ajudam diariamente a construir uma sociedade mais justa, mais solidária e mais humana.

Cada uma delas, à sua maneira, representa aquilo que nenhuma estatística consegue medir completamente: o impacto silencioso, constante e transformador das mulheres na construção das famílias, das comunidades e da própria sociedade.

 

🌱 O verdadeiro desenvolvimento (não apenas crescimento)

Quando falamos de desenvolvimento econômico, muitas vezes pensamos apenas em indicadores como PIB, renda ou produtividade.

Mas o verdadeiro desenvolvimento acontece quando uma sociedade amplia oportunidades, reduz desigualdades e permite que talentos floresçam — independentemente de gênero.

Como resume Amartya Sen:

"O desenvolvimento consiste na expansão das liberdades substantivas das pessoas."

E ampliar as oportunidades das mulheres é uma das formas mais poderosas de construir sociedades mais prósperas.

 

🌍 Conclusão

O Dia Internacional da Mulher não é apenas uma data simbólica.

É um lembrete de que economia, ciência, inovação e desenvolvimento dependem do talento e da participação de todas as pessoas.

Ao reconhecer as mulheres que transformaram o mundo — e aquelas que transformam nossas próprias vidas — celebramos algo ainda maior:

A capacidade humana de aprender, evoluir e construir um futuro melhor.

E esse futuro, sem dúvida, também tem o olhar, a inteligência e a força das mulheres.

 

 

 

 

✍️ Nota do Blog: Texto autoral. IA utilizada apenas para organização e revisão textual.

📚 Referências:

  • Goldin, C. (2023). Career and Family: Women's Century-Long Journey toward Equity
  • McKinsey Global Institute (2015). The power of parity: How advancing women's equality can add $12 trillion to global growth
  • Sen, A. (1999). Development as Freedom
  • Mazzucato, M. (2013). The Entrepreneurial State
  • Ranga, M. & Etzkowitz, H. (2013). Triple Helix systems: an analytical framework for innovation policy and practice in the Knowledge Society

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

🧠 Ciência Aplicada: O Artigo da UTFPR-CP que Saiu das Páginas e Virou Agenda para o Norte Pioneiro

🛍️ O shopping em Cornélio Procópio: falta de público… ou modelo errado?

⏳ O Custo Invisível da Não Decisão (e o que Cornélio Procópio tem a ver com isso)