💡 Quando uma conversa no estacionamento da UTFPR CP diz mais sobre o Brasil do que discursos inteiros
Cheguei para dar aula numa noite comum de terça-feira, sem nenhum tema definido para o blog. No estacionamento, o professor Fábio Poderoso (Física), que saia da universidade, comentou — quase por acaso — que havia "descoberto" Introduction to Economics, de Van Sickle & Rogge (1954). Ele estava impressionado com a clareza dos autores ao explicar o funcionamento de uma economia moderna.
Curioso, fui buscar resenhas sobre o livro — e quanto mais lia, mais aquela obra antiga parecia falar do Brasil de hoje.
📚 A lição central é simples e profunda:
Desenvolvimento não nasce de slogans, mas da organização contínua do que já existe.
🇧🇷 Brasil: potência no discurso, aprendiz na continuidade
O Brasil não fracassa por falta de ideias — fracassa por falta de constância.
Abandonamos projetos pela metade, trocamos políticas públicas como quem troca de roupa e confundimos anúncio de obra com resultado econômico. Muitas vezes, tratamos os políticos como "deuses" em um sistema que parece imutável.
📌 Economistas consagrados já nos alertaram:
Gregory Mankiw define economia como “a ciência que estuda como a sociedade administra recursos escassos ao longo do tempo”.
Paul Krugman reforça: “Produtividade não é tudo, mas no longo prazo é quase tudo” — porque países só crescem de verdade quando transformam conhecimento em produção e bem-estar.
Aqui, fazemos o contrário: Produzimos conhecimento… e desperdiçamos seu efeito.
🎓 O paradoxo das pequenas cidades com grandes universidades
Esse diagnóstico vale para centenas de cidades brasileiras que abrigam universidades públicas, faculdades, conselhos, associações, Sistema S, incubadoras… mas não transformam esse capital humano em desenvolvimento local.
Essas cidades:
✅ Formam engenheiros, administradores, cientistas, técnicos.
❌ Mas não retêm esses talentos.
✅ Têm instituições em rede — a base da Tríplice Hélice.
❌ Mas não conseguem coordená-las — falha na Teoria Institucional.
✅ Produzem conhecimento, TCCs, pesquisas, startups.
❌ Mas pouco disso vira negócio, emprego, renda, permanência.
📉 Resultado? Viramos exportadores gratuitos de cérebros e importadores de soluções prontas.
📌 O ponto que une Van Sickle (1954), Mankiw e Krugman
Apesar de épocas diferentes, todos afirmam o mesmo:
Desenvolvimento é o efeito acumulado de sistemas que funcionam por décadas — não de entusiasmos de ano eleitoral.
Van Sickle & Rogge (1954): defendem instituições estáveis e planejamento contínuo.
Mankiw: mostra que decisões de hoje afetam gerações futuras — economia é alocação de recursos no tempo.
Krugman: diz que produtividade é o verdadeiro motor da riqueza — e só surge com inovação + aprendizado + tempo.
E isso nos leva à pergunta central:
O problema não é “como desenvolver nossas cidades?”, mas “por que não estamos usando o que já temos?”.
🛠️ A parábola do martelo invisível
Imagine uma cidade que recebe o martelo mais avançado do mundo — moderno, indestrutível, perfeito.
Mas ninguém segura o martelo.
O otimista diz: “Esse martelo vai mudar tudo!” — e vai embora sem usá-lo.
O pessimista diz: “Isso vai dar errado, melhor deixar quieto…” — e também vai embora.
O realista esperançoso pega o martelo, chama outras pessoas, define o que construir, organiza o trabalho… e bate o primeiro prego.
A inovação, a universidade, a IA, os parques tecnológicos, o conhecimento — são esse martelo.
Eles não constroem nada sozinhos.
Não destroem nada sozinhos.
Eles apenas revelam quem somos diante deles:
👀 Expectadores?
⚠️ Alarmistas?
🛠️ Ou construtores?
🤔 Reflexões finais
Se tantas cidades têm universidades, conselhos, organizações e gente boa… por que seguimos parados?
Será que falta ideia — ou falta continuidade, coordenação e coragem de construir juntos?
Quem segura o martelo na sua cidade?
✍️ Nota de autoria
Texto escrito pelo autor. IA utilizada apenas para revisão e formatação.

Muito bom Prof. Luis Cesar!!!
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